Análise da adesão à terapia antirretroviral de pessoas vivendo com HIV/AIDS atendidas em uma unidade de dispersão do DF

  • Gabriela Freitas
  • Noemia Tavares
Palavras-chave: Adesão, Registro de Dispensação, HIV

Resumo

O vírus da imunodeficiência humana (HIV) continua sendo um grande problema de saúde pública mundial, causando mais de 35 milhões de mortes até hoje. O estágio mais avançado dessa infecção, no contexto de não utilização de medicamentos antirretrovirais, é a síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), que pode demorar de dois a 15 anos para se manifestar, de acordo com o indivíduo. Os indicadores de mortalidade por aids sofreram alterações acentuadas com o advento da terapia antirretroviral (TARV) combinada, particularmente nos países em que a disponibilidade desses medicamentos é universal e gratuita, como no Brasil. Ainda sem cura, a AIDS hoje tem tratamento, e traz a adesão à terapia como um de seus maiores desafios. Analisar a adesão a Terapia Antirretroviral de Pessoas que Vivem com HIV/aids em início de tratamento de acordo com o novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos (PCDT Adultos), atendidas na Farmácia Escola da UNB/HUB. Foi realizado um estudo de coorte retrospectiva a partir de dados secundários sobre uso de TARV na Farmácia Escola da Universidade de Brasília. Excluindo-se gestantes e pacientes que usaram a TARV como profilaxia, a população de estudo abrangeu pacientes acima de 18 anos, cadastrados no sistema de registro da farmácia, e que iniciaram o tratamento no período de vigência do mais recente protocolo, utilizando o esquema inicial preferencial (lamivudina + tenofovir – associados ao dolutegravir). A adesão foi analisada a partir do cálculo da diferença de dias entre as dispensações, considerando o número de comprimidos dispensados para o consumo. Estes dados permitem estimar se a adesão atinge o percentual mínimo de 80% para a manutenção da carga viral indetectável.Foram selecionados 47 pacientes para esta análise. Em relação às características sociodemográficas, eles pertencem majoritariamente ao sexo masculino, e a média de idade foi de 34 anos. Quanto à procedência, apenas 38,29% são do Distrito Federal. Os pacientes foram avaliados durante 12 meses após a primeira prescrição, sua adesão foi descrita como: acima de 95% para 48,93% dos pacientes, entre 80% e 94,9%, para 23,40%, abaixo de 80% para 17,02%, e 10,63% abandonaram o tratamento. A ocorrência de retiradas irregulares foi maior nos 6 primeiros meses, apresentando percentuais mais regulares após este período. A implantação e utilização efetiva de sistemas de registro de dispensação pelas unidades de serviço promovem a facilidade de acesso às informações, do monitoramento e da avaliação contínua das dispensações. Fato que permite uma identificação eficaz dos pacientes com retirada insuficiente ou em risco de abandono do tratamento. Portanto, este método quando combinado às demais maneiras de avaliar adesão, pode ser útil nas estratégias para redução da não adesão aos ARV nos serviços de saúde e suas consequências.

Publicado
2019-06-10
Como Citar
1.
Freitas G, Tavares N. Análise da adesão à terapia antirretroviral de pessoas vivendo com HIV/AIDS atendidas em uma unidade de dispersão do DF. Rev Inic Cient Ext [Internet]. 10º de junho de 2019 [citado 22º de julho de 2019];2(Esp.1):22. Disponível em: https://revistasfacesa.senaaires.com.br/index.php/iniciacao-cientifica/article/view/189